Verde, laranja, vermelho. Parei meu carro num cruzamento. Uma criança se aproximou. Incomoda-me ter que fechar a janela, mas o fiz. Segurança, claro. Medo, talvez. Comecei a analisar. Uma opção? Acredito que não, quiçá uma condição. Então pensei: Exclusão social? Acesso à educação? Saúde? Segurança? Justiça? Pago impostos! Cadê o Estado? Vejo a criança se aproximar de outro carro. Continuei a pensar. Com certeza o Estado nunca bateu à sua porta para oferecer tais condições. Condição sine qua non à sobrevivência de qualquer ser humano. Ela nunca vai saber quem é o Estado. Vai. No futuro, adulta, mas vai. Quando cometer um crime. Aí o Estado vai bater à sua porta. E vai preparar uma grande "festa". Com direito a tudo. Oficial de justiça para citar. Promotor para acusar. Defensor público para defender. Juiz para julgar. E muitos chamarão esta "festa" de (in)justiça.
[Christianno Augusto - Inspirado na música Cidadão de Papelão]
Assista o vídeo:
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Cigarro
- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Só queria ter alguma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu!
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Só queria ter alguma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu!
Futebol
O que tem a ver futebol com Deus? Absolutamente, nada! Um se benze, outro ora, outro faz mandinga. A ignorância religiosa de uma Nação que se diz cristã é assustadora. Se isto ganhasse jogo, os times do Santo André, do São Caetano, seriam campeões, sempre. Os times da Bahia não perderiam jogos. O futebol deveria ser uma brincadeira, simples lazer, contudo, de uns tempos para cá transformou-se numa guerra, com mortos e assassinos ensandecidos. A violência e o fanatismo entre os torcedores assusta. Não se deixem enganar, mas o futebol hoje está mais para o inferno do que para o céu.
[Rosival Paiva - Limoeiro/PE]
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Vigília
Faço vigília todas as noites.
Do meu quintal consigo dar conta de todas as estrelas do céu.
Espero que uma delas despenque num instante qualquer.
Assim posso fazer um pedido.
Meus sonhos estão na UTI.
Esperança já não há.
Os milagres estão todos em coma.
Sigo só. Só me resta esperar.
Faço vigília todas as noites.
Do meu quintal consigo dar conta de todas as estrelas.
Certa vez dei por falta de uma delas.
Era cadente, a estrela.
Tive cinco segundos para fazer uma prece. E fiz.
Enquanto fechava os olhos
imaginava meus sonhos acordando, milagres reagindo
e esperança entrando pelo portão da casa.
A estrela caía enquanto eu rezava.
Perdeu a luz no fundo do mar.
Sigo só, só me resta esperar.
Faço vigília todos os dias.
De cima do telhado consigo dar conta de todas as ondas.
Torço pra que uma delas saia do lugar
e revele a luminosidade semicerrada na areia.
Esconderijos de luz no fundo do mar.
Estrela a brilhar, sonho a sorrir, esperança de pé:
milagres se acontecendo.
[Maíra Viana]
Do meu quintal consigo dar conta de todas as estrelas do céu.
Espero que uma delas despenque num instante qualquer.
Assim posso fazer um pedido.
Meus sonhos estão na UTI.
Esperança já não há.
Os milagres estão todos em coma.
Sigo só. Só me resta esperar.
Faço vigília todas as noites.
Do meu quintal consigo dar conta de todas as estrelas.
Certa vez dei por falta de uma delas.
Era cadente, a estrela.
Tive cinco segundos para fazer uma prece. E fiz.
Enquanto fechava os olhos
imaginava meus sonhos acordando, milagres reagindo
e esperança entrando pelo portão da casa.
A estrela caía enquanto eu rezava.
Perdeu a luz no fundo do mar.
Sigo só, só me resta esperar.
Faço vigília todos os dias.
De cima do telhado consigo dar conta de todas as ondas.
Torço pra que uma delas saia do lugar
e revele a luminosidade semicerrada na areia.
Esconderijos de luz no fundo do mar.
Estrela a brilhar, sonho a sorrir, esperança de pé:
milagres se acontecendo.
[Maíra Viana]
domingo, 26 de julho de 2009
Para morrer
Matei lagartixas.
Matei formigas que estavam em meu caminho.
Matei aula.
Já tentei me matar.
Matei o trabalho.
Matei amizade.
Matei duas rolinhas que quiseram voar quando me aproximei com o carro.
Fome eu mato, sempre.
Silêncio, quando me convém.
Saudade me mata.
E o seu sorriso também.
[Renata Lacerda]
Matei formigas que estavam em meu caminho.
Matei aula.
Já tentei me matar.
Matei o trabalho.
Matei amizade.
Matei duas rolinhas que quiseram voar quando me aproximei com o carro.
Fome eu mato, sempre.
Silêncio, quando me convém.
Saudade me mata.
E o seu sorriso também.
[Renata Lacerda]
quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Todos e todas
Ando incomodado com a mania dos petistas de falarem “todos e todas”. Esqueceram de consultar a gramática ou resolveram reinventar as regras do português?
No mesmo momento em que passamos por uma reforma ortográfica, que tem por objetivo uniformizar o registro escrito nos oito países que falam a língua portuguesa (Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Timor Leste e São Tomé e Príncipe), os petistas tentam “assassinar a língua”. Abusam da lingüística.
Trata-se de plural. Não há necessidade de distinguir os sexos. Ou não aprenderam na escola que não existem dois plurais quando se engloba o feminino e o masculino? Um deputado e uma deputada são dois deputados. Um gordo e uma gorda são dois gordos. Um índio e uma índia são dois índios, dois indivíduos. Aprendi isso no primário!
Bom dia a todos e a todas! Isso é redundância! É o mesmo que dizer: Bom dia a todos os indivíduos e a todas as pessoas!
Pelo amor de Deus, respeitem o nosso Português!
No mesmo momento em que passamos por uma reforma ortográfica, que tem por objetivo uniformizar o registro escrito nos oito países que falam a língua portuguesa (Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Timor Leste e São Tomé e Príncipe), os petistas tentam “assassinar a língua”. Abusam da lingüística.
Trata-se de plural. Não há necessidade de distinguir os sexos. Ou não aprenderam na escola que não existem dois plurais quando se engloba o feminino e o masculino? Um deputado e uma deputada são dois deputados. Um gordo e uma gorda são dois gordos. Um índio e uma índia são dois índios, dois indivíduos. Aprendi isso no primário!
Bom dia a todos e a todas! Isso é redundância! É o mesmo que dizer: Bom dia a todos os indivíduos e a todas as pessoas!
Pelo amor de Deus, respeitem o nosso Português!
Fotografias do Mês
terça-feira, 21 de julho de 2009
Luiz Gonzaga
O Varal

Esperança é algo que já não tenho mais.
Voou do varal numa noite qualquer.
O mesmo varal onde pendurei minha fé.
Voou também. Nem vi. Venta muito por aqui.
Nada fica firme por muito tempo.
As roupas não secam, somem. Voam, sei lá pra onde.
Já nem sei o que vestir quando me convidam.
Por isso nunca aceito.
Fico em casa com satisfação.
Vou até o quintal e aproveito o tempo para estender fotos, passados, sonhos...
Tudo no mesmo varal. Só pra tirar o mofo, tomar um ar.
Mas sempre voam. Voam sei lá pra onde.
E eu vou perdendo as peças da minha história. Uma por uma.
Tudo o que eu amo desapareçe!
Do quintal da minha casa nem dá pra ver o seu.
Mas imagino que lá no fundo, num cantinho, também tenha um varal.
O seu varal. Onde não venta.
E devem estar pendurados: Meu sorriso, minhas certezas, minha fé.
Quem sabe um dia bate um vento e, de tão forte,
Te faça trazer de volta o que sempre foi meu. E falta. No meu quintal.
O tempo voa enquanto espero.
Estendo a vida num varal.
Esperança já não há. Voou seí lá pra onde.
Nada fica firme por muito tempo.
E venta muito por aqui...
[Maíra Viana]
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Retrovisor

A cidade se devora em cada carro parado,
Em cada sinal fechado,
Em cada pedaço de vida mal resolvida.
As buzinas teimam em protestar
Como se a quebra do silêncio pudesse trazer de volta
As escolhas que eu nunca fiz.
O que passou é passado, vejo pelo retrovisor.
Não há mais tempo para seguir por outra avenida.
Jamais saberei quem eu seria numa outra via de acesso.
Se eu tivesse tomado um atalho, uma rua estreita qualquer,
Que tipo de pessoa eu teria me tornado?
Não sei. Mas gostaria muito de saber.
Pelo retrovisor,
Vejo todas pessoas que eu poderia ter sido e não fui.
Vejo todas as ruas por onde nunca me atrevi a passar.
Pelo retrovisor,
Vejo tudo que eu escolhi não viver
Enquanto a cidade me devora dia-a-dia.
[Maíra Viana]
Gosto X Não Gosto
Do que gosto:
- Ir ao cinema;
- Ir ao teatro;
- Ir ao circo;
- Escrever;
- Literatura;
- Viajar;
- Ouvir uma música 978.324.154.675.093.228 vezes;
- Assistir filme em casa, comendo pipoca, chocolate e tomando coca-cola;
- Reunir com a família;
- Sair com os amigos;
- Levar lição de moral;
- Ver fotos;
- Acordar com um telefonema ou uma mensagem;
- Saber que (você) pensa em mim;
- Beijar na boca (tem que ser demorado);
- Dormir abraçado;
- Ganhar presente;
- Açaí na tijela;
- Tomar sorvete (no maior frio);
- Leite com chocolate e leite em pó;
- Meu computador;
- Meu quarto;
- Ficar horas e horas debaixo do chuveiro;
- Gastar dinheiro;
- Demorar ao telefone;
- Conversar com quem me entende;
- Deixar a barba para fazer depois.
Do que não gosto:
- Brigas;
- Bagunça;
- Pagode;
- Sushi;
- Número não identificado;
- Quem mexe nas minhas coisas (principalmente celular);
- Não ser lembrado;
- Esquecer do que ía falar;
- Ficar por fora do assunto;
- Quando falam das minhas amizades;
- Segurar vela;
- Ser cobrado;
- Fofoca pela metade;
- Chorar por quem não mecece;
- Dar satisfação da minha vida;
- Sair de casa sem: tomar banho, pentear cabelos, escovar os dentes; perfume e dinheiro;
- Pessoas falsas demais;
- Pessoas mentirosas demais;
- Pessoas verdadeiras demais;
- Pessoas empolgadas demais;
- Pessoas que brincam com o sentimento dos outros;
- Pessoas que comem de boca aberta;
- Pessoas que assistem filmes fazendo perguntas idiotas;
- Ficar muito tempo longe de...
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